Biografia
Ilton Chaves, natural de Itinga, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, é um daqueles casos raros que o futebol proporciona. O ex-jogador e ex-técnico fez carreira em vários clubes pelo Brasil, mas o mais marcante são suas passagens pelos três grandes de Minas Gerais: América-MG, Atlético-MG e Cruzeiro. Ilton conseguiu a proeza de ser vitorioso nos dois times de maior rivalidade no estado. Foi ídolo tanto do lado alvinegro, como do lado celeste.
O fato de ter trabalhado dentro e fora de campo, com craques como Dirceu Lopes, Tostão, Piazza, Natal e Nelinho, podem explicar parte do sucesso. Em 1966, no Cruzeiro, Ilton fez parte do grupo campeão da Taça Brasil, validada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como título nacional, recentemente. Com carinho, o ex-jogador comemora o reconhecimento.
- É, eu acho importante isso, porque foi um time de expressão imensa na época. O Cruzeiro tinha um time fantástico, então foi muito justo. Ali era um grupo abençoado por Deus. Um grupo que tem Dirceu Lopes, Tostão, Piazza, era um grupo de jogadores sensacionais. (Tinha também) Hilton Oliveira, Natal, quer dizer, o Cruzeiro tinha jogadores fantásticos, com uma diretoria espetacular.
Ilton, que se refere àquele grupo como o da ‘fase de ouro’ do Cruzeiro, conta que conversava e dava conselhos aos companheiros de time. Para ele, a amizade feita naquele grupo permitia os ‘toques’ e também as brincadeiras entre os atletas.
- Quando eu vim do América-RJ para o Cruzeiro, o Piazza estava vindo do Renascença, e eu sou cinco anos mais velho que ele, eu era o titular, e dava muito conselho. Eu mesmo já perguntei pra ele: ‘Você é lateral ou volante? Você tem que ir pelo meio. Você é um jogador sensacional.’ E ele escutando tudo... A gente tinha esse relacionamento bom e queria que eles subissem na vida, né? Até mesmo o Dirceu Lopes, que era um cracaço, a gente conversava com ele. A união era muito grande, as brincadeiras existiam sempre, deve ser como hoje, né? Realmente tinha jogadores que eram muito marcados pelas brincadeiras, o Dirceu Lopes era um, todo mundo pegava ele pelo pé. Todo tipo de brincadeira aparecia, dar cascudo, tirar a roupa, a gente pintava o sete. Mas ninguém brigava, ninguém apelava. Era uma amizade muito boa e um respeito muito grande.